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Rio 2016 – Boletim do segundo dia! Lições para a vida!

Por Thiago Barros

Eu nem falo só pelo 1-10 (Alemanha/Holanda), pela eliminação diante do Paraguai e do Peru nas duas últimas edições da Copa América ou pelos empates por 0-0 com África do Sul e Iraque nos Jogos do Rio. O 7-1 da Alemanha foi considerado uma tragédia por muitos, mas para mim era só a ponta do iceberg. Era só um recado do que estava por vir no futebol brasileiro, partindo de toda a sua estrutura, desde as categorias de base até os profissionais. Partindo do calendário, dos péssimos campeonatos estaduais, da desvalorização pela qual o campeonato brasileiro foi passando no decorrer dos anos. Tornou-se tão inexpressivo e fraco como o campeonato norueguês, só é valorizado dentro do país pelas apaixonadas torcidas dos tradicionais clubes. Não serve de referência para nada no futebol atual. Os times caminharam para o fundo do poço junto com a seleção nacional, desde 2013 um clube brasileiro não ganha a Taça Libertadores, sequer se classifica para a Final. Naquela oportunidade, o Atlético de Ronaldinho ganhou mais pelo espírito, pela raça, coisas não muito comuns no futebol brasileiro, do que pela qualidade técnica, pois era um time do mesmo nível que a maioria daqueles que participaram do torneio. Isso foi comprovado quando o Galo perdeu para o Raja Casablanca, do Marrocos, no Mundial de Clubes. Nada de zebra! É realidade! O fim do poço para o futebol brasileiro começou com a arrogância de se qualificar como o melhor futebol do mundo. Através disso, como em um passe de mágica, a amarelinha assustava o adversário e o Brasil se tornaria vitorioso. Os jogadores não precisavam nem treinar, esquema tático não era necessário, afinal era só entrar em campo e ganhar. A seleção era sempre muito arrogante e esse ar de superioridade era visto na expressão dos jogadores, algo fétido para os adversários e lindo para algumas pessoas da imprensa, as mesmas que hoje condenam o futebol brasileiro. Sim! A imprensa ajudou a criar no imaginário dos jogadores e dos torcedores brasileiros que o país do futebol estava acima de tudo e de todos. Não aprenderam nem com o Uruguai de 1950, nem com a Itália de 1982 e nem com a Alemanha de 2014. Se encaixar três vitórias, sobre França, Alemanha ou Argentina, o pachequismo volta com a mesma velocidade de Usain Bolt em uma prova do atletismo. Talvez o Brasil, versão futebol masculino, se classifique contra a Dinamarca, um time bem mais qualificado que o Iraque e a África do Sul. Talvez até ganhe o ouro e esses dois empates por 0-0 tornem-se a história de um título heroico, marcado pela superação, onde todos se viraram contra a seleção. Os gritos de que Marta é melhor do que Neymar são uma metáfora de que o grande craque da seleção masculina não representa para a seleção o que a grande craque da história do futebol feminino representa para o esporte brasileiro. É uma metáfora de que o futebol feminino joga bonito, exatamente o que se esperava do masculino. É uma metáfora para a CBF, que tem na seleção masculina a representação figurativa do seu sucesso como entidade, e que despreza totalmente o feminino. Mas a entidade faliu, o presidente não pode sair do país para acompanhar a seleção em uma Copa América, pois ele será preso. Vou parar por aqui! O constrangimento com o futebol brasileiro é maior do que qualquer 7-1 que possa acontecer daqui para frente, seja perdendo para a Alemanha ou vencendo o Haiti. O constrangimento com o Brasil, um país marcado por casos e casos de corrupção, independente de partidos políticos, é amargo. Um país, que através de um presidente, trouxe uma Copa e uma Olimpíada em um intervalo de dois anos, loucura que nem uma grande potência mundial faz, pois isso gera gastos astronômicos. O Brasil está falido! A Olimpíada não tem nada a ver com isso, é a maior festa esportiva do planeta e não tem culpa se escolheram o palco em um contexto desfavorável. Mas tem uma coisa positiva, o Brasil está organizando de forma brilhante os Jogos Olímpicos. Vamos ao boletim:

  • No futebol, Portugal e Nigéria destacaram-se na segunda rodada, garantiram classificação para a próxima fase e pintam como favoritas ao ouro olímpico. A Alemanha sofreu diante da Coréia do Sul, viu uma possível eliminação precoce bater na trave, mas conseguiu empatar , ficou 3-3. O México fez só 5 no Fiji, conseguiu levar um gol e ainda perdeu Peralta para o resto dos Jogos. A Dinamarca é a única seleção que marcou um gol no grupo do Brasil, vitória por 1-0 contra a África do Sul que colocou os dinamarqueses no caminho da classificação. Brasil e Dinamarca promete ser um jogo dramático na próxima quarta-feira e não preciso explicar os motivos. Os escandinavos são muito superiores, tecnicamente e taticamente, aos outros adversários do Brasil nesse grupo. A Dinamarca usa muito a força física, vai se garantir na próxima fase com um empate e possivelmente deve entrar em campo para não deixar o Brasil fazer gol e, quiçá, encaixar um contra-ataque para vencer a partida. Prepare-se! Esse cenário é muito possível!
  • A esgrima nunca foi tão popular no Brasil. Guilherme Toldo mandou tão bem que chegou a virar assunto, cogitou-se até uma medalha em um esporte nada tradicional no país. Com seu florete, ele foi longe demais e marcou história. Mas não levou nenhuma medalha!
  • No tênis de mesa, Hugo Calderano segue muito bem, vai passando pelos adversários e pinta como figura popular entre os apreciadores dos Jogos. Está na mesma situação do Toldo na esgrima, se vencer será fantástico, se perder ficará marcado pela ótima participação.
  • Tantos assuntos marcam o tênis! Em primeiro lugar, foi um dia perfeito para os brasileiros, tanto nas duplas, quanto no simples. Thomaz Belluci estava perdendo, mas seu adversário, o alemão Dustin Brown, se machucou e foi obrigado a deixar o jogo. Antes de passar para os brasileiros nas duplas, vamos continuar no simples, afinal ídolos mundiais como Andy Murray e Rafael Nadal apresentaram-se bem. Mas a grande imagem do dia foi a derrota do sérvio Novak Djokovic, número 1 do mundo, campeão de tudo, mas nunca medalhista em uma Olimpíada. Ele queria dar essa medalha para seu país no simples, mas não teve jeito. O argentino Del Potro teve uma lesão no punho, fez três cirurgias, ficou parado por 1 ano, saiu do top 100 do ranking da ATP e, ainda por cima, ficou preso no elevador da Vila Olímpica por 40 minutos durante a manhã. Trágico? Del Potro venceu Djokovic, a maior zebra dessa Olimpíada. Eliminou o rei do tênis. Os dois, abraçados, chorando, ao final do confronto, mostram o que é o espírito olímpico. Um chorava pela superação de voltar e vencer o melhor do mundo, o outro por não poder dar ao seu país uma medalha, por não poder conquistar um título olímpico para sua vasta galeria de títulos (e são incontáveis). Bem, Djokovic ainda pode vencer nas duplas, estará em quadra amanhã contra Marcelo Melo e Bruno Soares na tentativa de seguir em frente. Outras “zebras” marcaram o dia no tênis, justamente nas duplas. As irmãs Venus e Serena Williams caíram para a República Tcheca, enquanto que os irmãos Jamie e Andy Murray foram parados por dois brasileiros: Thomaz Bellucci e André Sá. Isso mesmo! Andy Murray, ouro em Londres, campeão recentemente em Wimbledon, caiu para os brasileiros, mas ainda tem chances de conquistar o bicampeonato olímpico no simples.
  • No vôlei masculino, o Brasil levou um susto, mas bateu o México, de virada, por 3-1. No grande jogo do dia, a Itália passou por cima da França de forma surpreendente. Em Copacabana, Larissa e Talita venceram, enquanto que Pedro e Evandro perderam.
  • O judô não teve um dia legal para o Brasil, é melhor nem comentar. Aliás, tenho que comentar algo histórico. O Kosovo conquistou sua primeira medalha e foi de ouro. Majlinda Kelmendi foi a judoca responsável pelo grande feito.
  • No basquete masculino, o Brasil chegou a estar perdendo para a Lituânia por 29 pontos de diferença, mas diminuiu no final. Começou decepcionando, mas mostrou poder de superação através do apoio da torcida. Pode virar o jogo daqui para frente! A surpresa ficou por conta da vitória da Croácia contra a Espanha de Paul Gasol. No feminino, os EUA fizeram 121 a 56 sobre Senegal. Normal!
  • O handebol masculino conseguiu um feito histórico, venceu a Polônia por 34×32. Foi a primeira vitória da seleção brasileira sobre uma equipe europeia em uma Olimpíada.
  • As meninas deram um show na ginástica artística, repetindo o feito dos rapazes. Elas se classificaram para a final por equipes. Flavinha Saraiva, tão pequenininha e fofinha, 16 aninhos, deu show. Está na final da barra de equilíbrio. Rebeca Andrade conseguiu índice para a final do individual. Vamos lá, meninas.
  • A Holanda foi protagonista do ciclismo de estrada. Van Vleuten liderava a prova quando sofreu uma queda feia, foi parar no hospital, causou preocupação e comoção, virou um dos assuntos mais comentados no twitter. Ela está bem! Outra holandesa, Van der Breggen, conquistou o ouro.
  • Natação! A sueca Sarah Sjostrom, a norte-americana Katie Ledecky e o britânico Adam Peaty conquistaram o ouro e bateram o recorde mundial em suas respectivas categorias. O monstro Michael Phelps, maior medalhista da história das Olimpíadas, chegou a se aposentar após os Jogos de Londres, mas voltou. E voltou para conquistar outra medalha, a vigésima-terceira láurea. Sensacional! Vamos em frente! Tem muito mais!!!

Fotos: Getty Images, Agência Reuters, Rio 2016, Globo Esporte, Time Brasil e Brasil 2016.

 

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Djokovic já ganhou de tudo, não precisa de um ouro olímpico, correto? Errado! Esse cara não é ídolo do esporte mundial por acaso. Perdeu e chorou. Cena para a posteridade, quando um gigante cai de pé.

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Ele voltou para mais um ouro! Já são 19, 23 medalhas ao todo. Ele tem mais medalhas do que muitos países. Uma lenda da história do esporte! Michael Phelps!

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Uma bela cena dos Jogos Olímpicos no confronto entre Egito e Alemanha no vôlei de praia.

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As sul-coreanas dominam o tiro com arco.

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A beleza genuína da mistura entre esporte e arte encontra-se nos saltos ornamentais.

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As meninas da Ginástica deram muito orgulho para o Brasil na tarde de Domingo. Nada de futebol! Nada de campeonato brasileiro! Elas roubaram a cena nas emissoras de TV!

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