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O peso das camisas de Feyenoord e Man United faz Rotterdam respirar futebol na abertura da UEFA Europa League

(Por Thiago Barros)

Nesse dia de abertura da UEFA Europa League, não há como negar que o duelo mais esperado é entre Feyenoord e Manchester United. Rotterdam parou, a Holanda orgulha-se de de receber esse jogo que mais parece uma final de Europa League. Mas ainda é primeira rodada em um grupo da morte que terá Fenerbahçe de RvP (Van Persie), justamente contra times que o colocaram em evidência no futebol mundial: o Feyenoord que o revelou e o Manchester United, onde ele foi responsável pela última Premier League dos Red Devils. É ídolo nos dois clubes e, certamente, será homenageado pelas torcidas quando visitar Manchester e Rotterdam.

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Que grupo! Entre o poderoso Manchester United de Rooney, as consistentes equipes do Feyenoord de Kuyt e do Fenerbahce de Van Persie. Os Red Devils não podem se acomodar nessa chave, afinal holandeses e turcos têm tradição e times enjoados para atrapalhar a vida dos ingleses.

O Feyenoord, campeão da Champions, do Mundo, da Copa da UEFA, 14 vezes campeão holandês, é tradição pura não só dentro da Holanda. É na Europa! O United nem se fala, 3x campeão da Champions, 2 Mundiais, Recopa e Supercopa da UEFA, maior campeão inglês com 20 títulos (13 desde a criação da nomenclatura “Premier League” em 1993). Peso e tradição não faltam! Essas camisas entortam varais! É duelo de campeões da Champions e do Mundo.

Rotterdam não vive tempos legais com o Feyenoord, que foi vendo Ajax e PSV se sobressairem na Eredivisie (Campeonato Holandês). Ainda assim, foi o último clube holandês a conquistar um título relevante em cenário europeu/mundial, a Copa da UEFA em 2002, que fora substituída pela UEFA Europa League. Ou seja, o Feyenoord vai em busca do bi, um título que os Red Devils ainda não têm, afinal o clube inglês é acostumado com a UEFA Champions League. 

Se você quer saber do momento atual, eu te digo que, depois de muitos anos, o Feyenoord entra com força para conquistar o título holandês e não seria surpresa brigar também pela Europa League. Está certinho esse time! O Feyenoord não é só líder do campeonato holandês com 100% de aproveitamente, ele é rei de goleadas nesta temporada, vem atropelando adversário por adversário e preocupa bastante o melhor time da atualidade nos Países Baixos, o campeão holandês: o PSV. O Ajax, neste momento (Setembro de 2016), é o terceiro do trio de ferro da terra da Laranja Mecânica.

Quer saber, Van Bronckhorst foi inegavelmente um dos grandes laterais do futebol mundial e hoje é, certamente, um dos treinadores mais promissores. Acabou a carreira de Kuyt? Não! Ele se encaixou como uma luva no time de Rotterdam. Kuyt que já foi ponta, centroavante, lateral, volante, zagueiro, líbero, multifuncional, hoje encontrou a posição ideal para o fim da sua carreira: meia de armação. Ele não é o 10 (na camisa), mas é o maestro. Quem diria! Na frente, Jorgensen já surge como grande artilheiro e virou titular da seleção da Dinamarca (está fazendo gols pela Dinamáquina que vem com uma geração forte por aí). Vilhena e Berghuis, jogadores de seleção (creio que estarão na Copa com a Laranja), acompanham tudo o que Kuyt coordena dentro de campo e Van Bronckhorst fora dele. São dois técnicos! E o Feyenoord encaixou para voltar a ser gigante.

Kuyt nunca foi craque! Passou longe disso! Mas sempre demonstrou muita aplicação tática e oportunismo. Nos tempos de Liverpool, clássicos inesquecíveis contra o Manchester United. No jogo da foto, temporada 2011 da Premier League, Kuyt fez 3 (hat-trick) e os Reds amaçaram o time que seria campeão daquela temporada. Em outra oportunidade, Kuyt fez pelo Liverpool o gol que eliminou o United da FA Cup. Kuyt, hoje meia, não deixou de ser artilheiro no Feyenoord. Preocupação grande para os Red Devils no jogo de hoje!

Pelo lado dos Red Devils, Mourinho chegou e ainda não conseguiu carimbar o seu estilo de jogo. O United, gigante mundial, anda ferido ao trincar sua tradição com campanhas nada fidedignas na Premier League, capazes de não colocá-lo nem no grupo dos que se classificam para a Champions. Ficou fora! Ninguém deu certo depois de Sir Alex Ferguson. Van Gaal vinha de campanha irrepreensível com a Holanda na Copa do Mundo, mas virou um trapalhão no United. Inventou tanto que nem ele sabia mais quem era quem no time. O problema é que Mourinho chegou, pegou essa bagunça e, inexplicavelmente, está mantendo o que o seu antecessor fez. Valencia nunca me convenceu como ponta (é jogador para o West Ham e não para o United). Van Gaal transformou o equatoriano em lateral-direito inspirando-se justamente em Kuyt, que de ponta virou lateral-direito da Holanda na Copa. Mas Kuyt é mais técnico que Valencia! Bem mais!

Van Gaal queimou muitos jogadores nesse breve período de United e Mourinho continua a trilhar esse perigoso caminho para a tradição dos Red Devils. Schweinsteiger (ou Schweinger) é meia irrepreensível, perfeito no toque de bola e na armação, visão de jogo apurada e aparece como ninguém para deixar seus gols. Firme na marcação e forte fisicamente! Sua lesão atrapalhou no período de Van Gaal, mas Schweinger tem só 32 anos e capacidade para voltar com tudo. Só que Mourinho, problemático desde sempre, prefere o limitadíssimo Fellaini, jogador de campeonato brasileiro. O grandalhão belga só é útil na hora do desespero, quando o time precisa fazer um gol e começa a dar chuveirinho para a área. Talvez Fellaini faça de cabeça! Não é meio-campista para os Red Devils e nem para nenhum time mediano da Europa. Mas pode tomar bastante suco de maracujá torcedor dos Red Devils, pois Mourinho é insistente. Fellaini será seu volante e Valencia o seu lateral-direito. E Blind, que só é bom na lateral-esquerda, continuará como zagueiro. Ou seja, a bagunça de Van Gaal tende a continuar e a derrota para o City no clássico do fim de semana representa que as instências de péssimo gosto podem deixar o Manchester United só na briga por vaga na Champions ou por títulos das Copas (que são legais, mas desproporcioanais para os Red Devils). Existem coisas boas!  Rooney e Ibrahimovic podem formar uma ótima dupla, já que Van Gaal não está lá para colocar Rooney, atacante, como um volante de contenção. Espero que Mourinho não tenha visto isso para não repetir!

Ainda bem que o Man United tem os jovens promissores. Se existe uma coisa que Mourinho sabe, é trabalhar com a garotada. O zagueiro marfinense Bailly, o volante (lateral e zagueiro) holandês “Tim” Fosu-Mensah, os atacantes Martial (francês) e Rashford (inglês) são jóias a serem lapidadas. Ah! Tem Memphis Depay, um holandês de muita técnica e velocidade, jogador sensacional pela ponta esquerda, mas que foi queimado por Van Gaal. Mourinho vai trazê-lo de volta! Mourinho só não pode deixar o espanhol Mata, um dos melhores jogadores da equipe, no banco. Isso é coisa de Van Gaal!

Enfim, deixei o Paul Pogba, o jogador mais caro do mundo, para encerrar meu monólogo do dia. A chance do United voltar a ser potência mundial está nos pés desse jogador. Ele é um volante mais que moderno, ultrapassa a perfeição em suas articulações na meia-cancha, fazia isso com propriedade na Juventus e faz na seleção da França. Fará no United, ironicamente um clube que desprezou seu talento com o sir Alex Fergunson em 2012. Ele voltou! Pogba é feroz, marca como poucos, ocupa os espaços do meio-campo, seu mapa de calor (a planilha que mostra suas movimentações dentro do jogo) deixa qualquer fã de futebol boquiaberto. Ele aparece em todos os setores durante os 90 minutos com um reinado absurdo para um garoto de 23 anos. Pogba é o combustível dessa máquina que tem que funcionar com Mourinho: o atual Manchester United.

Seria perfeito ver esse meio-campo formado por Schweinstenger (já foi deletado por Mourinho) e Mata (inexplicavelmente pega banco para Lingard). Já imaginou esse meio-campo encaixado e com Ibra lá na frente para fazer gols atrás de gols? Já que virei técnico nesse monólogo, vou logo escalar meu United ideal: De Gea; Darmian, Smalling, Bailly e Blind (como lateral é de ótimo nível); Pogba e Schweinsteiger; Mata, Rooney e Mkhitaryan; Ibrahimovic. Um 4-2-3-1 do jeitinho que o Mourinho gosta! Falta muita gente de qualidade! Martial, por exemplo, tem vaga nesse time, assim como Luke Shaw (ele é do nível de Daley Blind na esquerda). Nesse caso, a dor de cabeça para o técnico português é boa, desde que não haja invenções mirabolantes. Shaw pode entrar no lugar de Blind, Martial no lugar de Mkhitaryan (seria um pouco injusto com o craque da Armênia) e vida que segue. Se Mourinho tirar da cabeça que Fellaini e Valencia são craques, que Lingard é mais talentoso que Mata e que Blind é zagueiro, certamente podemos ter um United brigando por títulos. Se insistir em ser Van Gaal, Mourinho terá os resultados modestos do técnico holandês. Em um dia cheio de jogos da UEFA Europa League, eu escolhi só um para analisar e apresentar o que esse campeonato pode ter de bom durante a temporada. Confira os jogos da primeira rodada:

Fotos: Getty Images, UEFA e Agência Reuters

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