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Holanda empata com a Suécia e mostra grande futebol que relembra a Laranja Mecânica de Sneijder na Copa de 2010.

(Por Thiago Barros)

Janssen é participativo, arrisca chutes de fora da área, se movimenta muito, serve os companheiros, faz parede e mostra poder de definição. Artilheiro do campeonato holandês pelo AZ, o centroavante de 22 anos despertou interesse de grandes clubes europeus e foi contratado pelo Tottenham. Nos últimos 30 anos, a Holanda apresentou ao mundo artilheiros do nível de Van Basten, Van Nilsterooy, Van Persie, Bergkamp, Kluivert, Robben, Huntelaar, entre outros. Chegou a vez de Vincent Janssen!

 

Suécia e Holanda empataram por 1-1 em Solna, região metropolitana de Estocolmo. Na teoria, ótimo empate para a Holanda, mas na prática não é bem assim. O placar moral desse jogo seria, no mínimo, 5-1 para a Oranje (Orange em inglês, Oranje em Dutch). O goleiro Olsen realizou diversos milagres, evitou vários gols dos atacantes holandeses e o goleador Bas Dost ainda teve um gol pessimamente anulado na reta final do jogo. A França também ficou no empate, mas com uma seleção bem mais fraca do que a Suécia: Belarus. Dessa forma, Holanda e França deslancham com 1 ponto e o confronto direto em Amsterdã no mês que vem poderá definir os rumos desse grupo. Após a primeira rodada, não tenho dúvidas: França e Holanda ficarão nas duas primeiras colocações, basta sabermos se a Oranje cresce para tirar a primeira colocação da França ou se a lógica dos “bleus ou blues” na primeira posição se consolidará.
Eu tenho visto Belarus como uma seleção perigosa, trata-se da base daquele time que jogou a Olimpíada de Londres em 2012. Na semana passada, Belarus bateu a Noruega fora de casa e hoje empatou com a poderosa França por 0-0. Não acho que Belarus brigará por vaga na Copa, mas roubará outros pontos importantes e será o fiel da balança. Creio que Belarus pode até ficar na frente da Suécia! Em Outubro, a Holanda recebe Belarus e França em Amsterdã (Amsterdam). Tem que ter muito cuidado e partir para duas vitórias, o que colocaria a Oranje na ponta do grupo.
Quanto ao Wesley, ele foi sensacional, o craque relembrou o bom e  velho Wesley Sneijder da Copa de 2010. O capitão liderou a Holanda dentro e fora de campo. Sua postura inspirou seus companheiros. A Oranje precisava de um líder e encontrou em Sneijder essa figura. Em uma partida sensacional, Sneijder fez um belo gol, armou jogadas, mostrou habilidade, técnica, força física, deu show e correu como nunca. Seus chutes potentes assustavam a meta de Olsen a todo momento. Sneijder retoma o seu auge em um momento em que ele e Robben (o carequinha voltará) declaram com todas as letras: “fomos vice em 2010, terceiros em 2014 e vamos completar o pódio em 2018 com o título.” Esses dois querem muito isso e o otimismo é o grande segredo de um campeão, basta olhar CR7 na Eurocopa. Basta olhar para o banco de reservas da Holanda e ver Van Basten, que apareceu em uma Oranje desacreditada na Eurocopa de 1988, uma seleção que não disputava uma Euro desde 1980 e uma Copa desde 1978. E foi campeão liderando a Holanda! Sneijder e Robben, na Copa, chegariam com 34 anos em uma quarta Copa do Mundo para cada um (jogam desde 2006). Eles já sabem o caminho!
Dois detalhes urgentes para Danny Blind conversar com a moçada da Laranja:
1) É fantástico ver a Holanda chutando muito de fora da área e jogando na vertical. É isso que faltou nas eliminatórias da Eurocopa e que sobrou na Copa do Mundo do Brasil. A Oranje parece que voltou mais forte do que nunca. Essa montanha russa é normal no futebol holandês! Mas é preciso acertar a pontaria, verdade que Olsen (goleiro sueco) foi um monstro, mas Dost, Janssen e Klaassen perderam gols incríveis durante o jogo.
2) A defesa da Holanda é fraca e isso comprometeu muito nos últimos tempos. Van Gaal não inventou aquele esquema maluco na Copa de colocar cinco zagueiros por acaso. As coisas parecem se ajeitar com uma linha de quatro e tem que ser essa mesma do jogo de hoje: Janmaat, Van Dijk, Bruma e Daley Blind. Strootman volta e faz a função de líbero, acaba fechando um trio defensivo ou um quinteto se você preferir (com os dois laterais). O problema é que esses defensores se distraem muito, como disse o próprio Sneijder a imprensa: “geração iphone”. A Holanda engoliu a Suécia durante 90 minutos, goleada de 5 gols para cima seria normal, mas em uma única vez em que os suecos chegaram, golaço de Berg. Falha bizarra da defesa, que simplesmente “parou” achando que o juiz havia marcado falta. Uma bobeira, um gol que quase vale um resultado e faz uma equipe desmoronar em campo.
Sobre a primeira rodada de uma forma geral:
1) Temos vários grupos equilibrados e eu insisto que grandes ficarão de fora da Copa e pequenos entrarão de penetras. Portugal, campeão europeu, perdeu para a Suíça, o que configura que os suíços podem partir para a primeira colocação dessa chave e os portugueses podem pintar em uma repescagem. Se analisarmos bem, na repescagem estarão, provavelmente, Espanha ou Itália por um grupo, França ou Holanda por outro. Podemos ter duelos de semifinal de Copa valendo como mata-mata ainda na repescagem europeia. Lembra daqueles confrontos entre Suécia de Ibra e Portugal de CR7 para a Copa de 2014? As eliminatórias europeias são assim! Pega fogo!
2) Algumas seleções menos cotadas chegaram firmes nessa primeira rodada. E não são surpresas! País de Gales encantou na Euro e continua com tudo, fez 4-0 na Moldávia, 2 gols de Bale e já lidera um equilibrado grupo com Áustria, Sérvia e Irlanda. A Dinamarca atropelou a Armênia “moralmente”, apesar de ter sido só 1-0. Eriksen é o maestro de uma Dinamáquina que parece ressurgir! A seleção escandinava aproveitou-se dos tropeços de Polônia e Romênia e lidera outro grupo muito equilibrado, lembrando sempre que a Polônia é a equipe mais forte dessa chave (Polônia e Dinamarca farão duelos de arrepiar). O placar de 1-1 repetiu-se em todos os confrontos do grupo I: Croácia – Turquia , Ucrânia – Islândia – Finlândia – Kosovo. Menção especial ao Kosovo, dois jogos oficiais, um amistoso vencido contra Ilhas Faroe por 2-0 e um empate fora de casa em sua estreia em uma Copa do Mundo (eliminatórias já vale como Copa). E com gol! Parabéns, Kosovo! Quem não está de parabéns é meia-dúzia de croatas, que de tanto aprontar na Euro, acabaram gerando punições da UEFA e a Croácia é obrigada a jogar de portões fechados nos dois primeiros jogos. Sem torcida, empate monótono com a Turquia, que não tem seu maior craque (Arda Turan) simplesmente pelo fato dele não se entender com o técnico Fatih Terim. Como bate falta o turco Çalhanoglu! No grupo G, Bélgica, Grécia e Bósnia e Herzegovina começaram atropelando. Todas essas seleções têm chances de ir para a Copa e não vou cair no clichê da ótima geração belga. Não dessa vez! Aprendi na Euro! Para mim, a Bélgica já provou que não é nenhuma potência e pode, inclusive, ficar atrás de Bósnia ou Grécia nesse grupo, caindo naquela boa e velha repescagem que vai estar cheia de grandes seleções.
3) Itália e Espanha começaram muito bem, a Azurra passou por Israel fora de casa e a Espanha aplicou a maior goleada da primeira rodada sobre Liechtenstein: 8-0. A Albânia, terceira força do grupo, teve o jogo parado por uma tempestade ontem, retomou hoje e fez valer seu favoritismo diante da Macedônia, fazendo um golzinho hoje (o jogo foi paralisado em 1-1 ontem). Albânia 2-1 Macedônia. Não creio que a Albânia incomodará Itália e Espanha, mas poderá arrancar um empate de alguma dessas seleções e definir o grupo. A Alemanha vai sobrar em seu grupo e não adianta forçar a barra dizendo que República Tcheca, Noruega e Irlanda do Norte são seleções chatas. Essas equipes serão chatas entre si na briga pela repescagem, afinal a Alemanha, que visitou a Noruega em Oslo, fez 3-0, já planeja o penta na Rússia 2018. Por último, a Inglaterra, como previsto, só venceu a Eslováquia com um gol nos acréscimos. Normal! Jogo fora de casa contra uma seleção qualificada como a Eslováquia é sempre assim. O que destoou nesse grupo foi a goleada da Escócia, fora de casa, para cima de Malta por 5-1. A Escócia pinta como força nessa chave, a princípio atrás da Inglaterra e junto com a Eslováquia na briga por repescagem. Só que partindo da Inglaterra, nunca se sabe o que pode ocorrer. Vai que o “English Team”, eliminado pela Islândia na Eurocopa, dá um de seus apagões e a Escócia entra como primeira do grupo. No cenário mais maluco que eu planejei, podemos imaginar uma repescagem (hipotética) com seleções do nível de Itália, Holanda, Portugal, Inglaterra, Bélgica, Polônia, Croácia e República Tcheca. Cá pra nós, qualquer confronto entre essas seleções poderia estar valendo como quartas de final da Copa do Mundo (ou até final em alguns casos).
Fotos: ONS Oranje e KNVB.

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