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Desconstruindo a história! O grito do Ipiranga não foi dado por um mocinho!

(Por Thiago Barros)

Grandes Seleções por Grandes Líderes Políticos!

Moçada, se vocês já conhecem meu estilo de texto, perceberam que eu transito entre esporte, cultura e muita história. Especialmente hoje, vou falar só de história. O romantismo do futebol me permite sair do óbvio e atravessar essa ponte. Peço licença ao futebol! Vamos falar de 1822!

No dia 07.09 comemorou-se a Independência do Brasil e eu valorizo muito essa data como jornalista e historiador, além de um apaixonado por tudo que envolve a história do Brasil e de Portugal. Mesmo com seus erros e interesses exclusos, Dom Pedro I teve uma grande atitude ao consolidar a Independência e enfrentar a Coroa Portuguesa. Sei que a história comprovaria que nosso Dom Pedro I não era nenhum santo disposto a criar um país novo e desenvolvê-lo, mas o que ele fez vale muitas honrarias, inclusive um merecido feriado em sua homenagem.

Dom Pedro não era santo mesmo! Mantinha seus casamentos de “fachada” com as imperatrizes (Leopoldina e depois Amélia) e deliciava-se na cama de várias mulheres, sobretudo de sua amada e ardente amante Domitila, a marquesa de Santos. Vale a leitura! Quem quiser saber do lado “pervertido” do nosso anti-herói, eu indico os livros de Paulo Setúbal: “As Maluquices do Imperador” e “A Marquesa de Santos”. Leia também “Titília e o Demonão” de Paulo Rezzutti e “O Chalaça” de José Roberto Torero. Chalaça era o Francisco Gomes da Silva, secretário particular de Dom Pedro I, amigo fiel do Imperador, contador de histórias, humorista e, claro, o marcador de encontros entre Pedro (cabe a informalidade) e suas amantes.

Galera, não são livros sobre história política, são obras primas sobre a vida particular daquelas pessoas que constituíram a Independência do Brasil, sobretudo Dom Pedro I. Um ótimo romance que eu super indico é “A Imperatriz no fim do mundo” de Ivanir Calado, que conta como a princesa Amélia deixa a Áustria aos 17 anos para casar-se com um príncipe desconhecido do outro lado do mundo: Pedro! Conta o sofrimento e os enfrentamentos da Imperatriz com a ousada Domitila. É quase uma novela! Leituras deliciosas, divertidas, eróticas e emocionantes para quem valoriza esse período da história do Brasil. Eu tenho todos esses livros e eu indico a leitura de cada um.

Então, eu vou indicar o melhor deles, tenho a coleção completa de Laurentino Gomes, 1808, 1822 e 1889, e trata-se de obras primas jornalísticas (todo bom jornalista deve ler) sobre esse período de turbulências políticas, sociedade que vive a dicotomia entre conservadorismo e libertinagem, religiosidade nas entranhas da Colônia e formação de um Império que viria a se consolidar entre 1822 e 1889 (quando tudo é polido de moralidade na superficiliadade social e desprovido de moral na intimidade). Vale a pena ler o livro 1822, pois é uma narração impecável e detalhada de um período marcado por paradoxos entre interesses políticos e a formação do herói nacional: Dom Pedro I. São metáforas de seres sociais que tornam-se personagens contraditórios em seus próprios mecanismos políticos e culturais. Dom Pedro e Domitlia, o “demonão e a Titília”, são metáforas de suas próprias vidas devastas. São Romeu e Julieta versão tupiniquim, acrescentado de muita pimenta do Reino. Desculpe a metáfora!

Mas não se engane, não há tanta veracidade como parece em todos os livros citados. Leve na boa e entenda como romances de uma época, tratando mais do contexto social e cultural desse período e da vida privada dos personagens do que propriamente de uma análise crítica sobre as entranhas políticas do Brasil Colônia que viraria Brasil Império. Tem um teor de romantismo em Laurentino Gomes, o que significa que imaginação e comoção podem ultrapassar a narração racional dos fatos. De Tiradentes, outro personagem contraditório, eu falo outro dia. Só digo que na transição do Império para a República, o Brasil precisava criar seus mártires e heróis. Todos os países têm! Mas será que quem escolheu o mártir e o herói foi mesmo imparcial como a nobreza do ato pede? Lembre-se, eles foram escolhidos na formação do Brasil República (café com leite – rural). É preciso ter visão crítica e ler bastante. Cair no senso comum é muito fácil. Sair do senso comum é tarefa árdua e só ocorre com muita visão crítica do cenário como um todo. Até o dia 15.11!

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Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, é figura obrigatória nas aulas de história do Brasil. A amante de Dom Pedro I influenciava todas as decisões do Imperador e o escândalo dessa relação seria uma das causas da comoção popular, pois era visto como algo “sujo” contra a Imperatriz Amélia. Claro que a corrupção evidente, inclusive de Domitila e de Chalaça (melhor amigo de Dom Pedro), ao influenciar as decisões do Imperador em seus exclusos negócios tornaram a situação de Dom Pedro insustenstável ao ponto de abdicar ao trono em 1831, voltar para Portugal e lutar com o irmão Miguel pela Coroa. Dom Miguel, com a morte de Dom João VI, no papel de príncipe herdeiro, assumiu o trono com o apoio das cortes em 1828 ao mesmo tempo em que Dom Pedro era chamado de volta para assumir o papel de Rei de Portugal. Pedro abdicou ao trono lusitano em nome de sua filha mais velha, Maria da Glória. Considerado traidor, Pedro foi dispensado pelas cortes e Miguel assumiu como Rei. Dessa forma, Pedro abdica ao Brasil em nome do filho (Dom Pedro II) e volta para lutar com Miguel em uma terrível guerra civil que duraria até 1834 e vencida pelos pedristas (liberais) contra os miguelistas (consevadores absolutistas). Maria da Glória assumiria como Rainha em 1834 e ficaria 19 anos no poder. Fatos históricos do Brasil e de Portugal!

 

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