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A esperança em meio a dicotomia Laranja (ou Azul?)

Robben é consagrado, maior craque holandês do milênio e a última esperança de um título mundial de uma geração que brilhou nas duas últimas Copas e decepcionou, na mesma proporção, nas duas últimas edições da Eurocopa.

(Por Thiago Barros)

A excelente geração da Holanda, marcada por Robben, Van Persie e Sneijder, caminha para sua última Copa do Mundo a partir da próxima semana. A estreia nas eliminatórias será contra a Suécia, na Friends Arena, em Solna, região metropolitana de Estocolmo. A dicotomia é a palavra chave de uma geração que se consolidou na Copa do Mundo de 2010, quando ficou muito perto do título da Copa do Mundo. Robben perdeu um gol cara a cara com Cassillas, goleiro espanhol, na reta final da partida. Poderia ser o gol do título! A Espanha venceu na prorrogação!

roben

Robben recebe lançamento de Sneijder, fica na frente de Casillas para fazer o gol do título da Holanda na Copa do Mundo de 2010, mas o goleiro espanhol salva de forma espetacular com o pé. A Laranja perderia sua terceira final de Copa do Mundo na África do Sul!

Mas o que importa é que essa geração foi vice-campeã do mundo em 2010 e terceira colocada em 2014. Então espera-se uma ótima campanha na Rússia para encerrar com chave de ouro, certo? Bom, não é assim. Nesse mesmo contexto, dois fiascos na Eurocopa. Penúltima colocada na Eurocopa 2012, três derrotas em três jogos, a Holanda chegou a ser fadada ao fracasso na Copa de 2014, mas Van Gaal chegou e remontou tudo. Ele brilhou na Copa, colocando sobre o trio Robben, Van Persie e Sneijder a responsabilidade de conduzir a Laranja. Conduziram! Bem, Van Gaal saiu e a Laranja azedou de vez. Se perder todos os jogos da Eurocopa 2012 foi um vexame, como definir uma ausência de uma Eurocopa com 24 seleções? Em seu grupo nas eliminatórias da Euro, três seleções se classificaram: República Tcheca, Islândia e Turquia. Contra essas seleções, a Holanda conseguiu 1 empate (graças a um gol nos acréscimos de Huntelaar contra a Turquia) e 5 derrotas. Espera! Mas essa mesma Holanda atropelou a Espanha na Copa, foi bronze claramente tirando o pé para não golear o Brasil em Brasília. Essa mesma Holanda ficou anos invicta, tornou-se líder do ranking da FIFA em 2011 e mesmo em fase péssima ainda é considerada potência pela mídia esportiva. Entre sucessos e vexames, uma coisa é clara na Laranja: a obsessão por uma Copa do Mundo. Então lá vem uma nova chance.

A Holanda se recicla, busca novos valores, mas sofre defensivamente desde o fim da Copa de 2014. O ex-zagueiro Danny Blind, técnico desde a saída de Guus Hiddink, responsável pelo vexame de ficar de fora da Eurocopa, não consegue organizar a defesa. Talvez Daley Blind, seu filho, tenha que voltar para a lateral esquerda, ele é melhor na função do que o Willems (não entendo a insistência com esse rapaz). Bruma e Van Djik vinham fazendo uma boa dupla de zaga nos amistosos deste ano, mas o Blind entra como zagueiro. E a lateral direita? Veltman, fraco como zagueiro no Ajax, é melhor como lateral, mas isso não quer dizer que ele é bom. Se fosse, o Tete (titular na direita do Ajax) não seria titular na equipe de Amsterdam e estaria convocado para a Laranja (saiu por lesão). Não tem jeito! Não gosto dele, acho um jogador fraco, mas Janmaat deve ser o titular na posição pela experiência da Copa. Van der Wiel é impossível, não entendo como foi titular no PSG por tanto tempo. Sem opções, prefiro então o fraco Janmaat ao Veltman improvisado. De resto, tudo tranquilo. Promes, Berghuis e, sobretudo, Janssen se encaixaram no ataque da Laranja. Esse Janssen vai fazer história! Promes idem! Berghuis está preparando território para a volta de Robben.

É esse o ponto crucial desse texto. Arjen Robben convive com lesões desde sempre, o “homem de vidro”, como infelizmente é conhecido o maior craque holandês desse milênio, só não é mais histórico no futebol pq se lesiona muito, talvez até pudesse ter sido uma sombra para Messi e CR7 durante seu auge (sempre em terceiro, mas sempre lá). As lesões não deixam! Nas eliminatórias da Euro, não jogou. Disse que quer uma Copa. Disse que quer ser campeão. Disse que só deixa a seleção de cadeira de rodas. Preparou-se intensamente para voltar com tudo ao Bayern e logo na pré-temporada, quando recuperado de uma lesão, veio outra. Agora mais alguns meses! Robben é necessário na Holanda, é a esperança da classificação para a Copa da Rússia.

Em grupo com França, repescagem é um caminho quase certo. O problema é que nem repescagem é algo seguro, principalmente sem Robben. A Suécia vem com a geração campeã da Eurocopa sub-21 e promete brigar com a Holanda pela segunda vaga. Então, amigos, Suécia e Holanda, terça-feira, torna-se, na primeira rodada, uma decisão de qual seleção partirá para cima da França nesse grupo e qual deve se configurar como terceira força. Com Robben, eu apostaria na Holanda de olhos fechados. Sem Robben, eu vejo muito equilíbrio, mas ainda acho a Holanda superior (só falta ajeitar a defesa). Nessa dicotomia, seleção de jogadores consagrados na Europa e no Mundo, a Holanda está sempre na gangorra. Pela lógica, fica por cima na Copa, por baixo na Eurocopa. Chegou a hora de ficar por cima de novo! E que a bipolaridade laranja se transforme, de uma vez por todas, em equilíbrio e estabilidade.

A Holanda já é grande, ninguém chega em três finais de Copa, revoluciona o futebol e lança tantos craques por acaso. Ninguém tem um dos times mais vitoriosos do mundo (o Ajax) por acaso. Ninguém tem três campeões da Champions League (Ajax, Feyenoord e PSV) por acaso. Ninguém nunca foi eliminada na primeira fase de uma Copa do Mundo por acaso. E mais, a Holanda, nas últimas 4 Copas que disputou, esteve entre os 4 melhores em três oportunidades. É de chegada e não é por acaso! Só precisa se estabilizar e ter a frieza da sua vizinha Alemanha. Ser feroz, como as meninas do handebol, é sensacional e caracteriza o esporte nesse país. Mas até a violência esportiva (no bom sentido) precisa de um pouco de calmaria para controlar o jogo na hora certa. Golear vários adversários em Copas, seja Espanha, Argentina, Uruguai ou Brasil, é fantástico, mas é preciso achar o equilíbrio para vencer. É preciso resgatar a Holanda fria e calculista (muito criticada por isso) da Copa do Mundo de 2010. Aquela seleção jogou o futebol mais feio da Holanda na história das Copas, mas foi o mais eficiente e, curiosamente, foi a que passou mais perto do título da Copa.

uefa

Se a Holanda ainda não venceu uma Copa do Mundo, a Laranja Mecânica já foi campeã da Eurocopa. Em 1988, a Holanda eliminou a anfitriã Alemanha Ocidental na semifinal e derrotou a URSS na grande final com um golaço do craque Van Basten. Timaço!

Fotos: KNVB, ONS Oranje, UEFA e FIFA.

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